Resumo: Esta investigação integra um projeto de mestrado da Linha III (Direitos Humanos, Educação e Tecnologias) do Mestrado Profissional do Programa de Pós-Graduação em Educação. Sua contextualização parte da prerrogativa de que, historicamente, a narrativa sobre o desenvolvimento do Litoral Norte do Rio Grande do Sul tem sido dominada por um ponto de vista hegemônico, frequentemente negligenciando ou sub-representando as contribuições e vivências das comunidades quilombolas. Por essa razão, este estudo objetiva investigar a memória cultural do povo preto do Quilombo do Morro Alto, situado nos municípios de Maquiné e Osório, no Rio Grande do Sul, Brasil, ao longo dos séculos XX e XXI, com foco no desenvolvimento dessa região. Orientada pela Declaração Universal dos Direitos Humanos e pelas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais, a pesquisa supre a necessidade de reduzir uma lacuna no registro histórico que perpetua uma visão parcial e incompleta da história local, invisibilizando os saberes e a resistência cultural dos quilombolas. O seu método é qualitativo e etnometodológico, com análise documental, realização de entrevistas semiestruturadas e produção de material didático-pedagógico audiovisual como produto educacional para ser utilizado por educadores em escolas. O projeto ainda está em fase de qualificação, dessa forma, como resultados, espera-se registrar episódios fundantes da organização do quilombo do Morro Alto, identificar episódios de enfrentamento do processo periférico, manutenção de condições de excedência e perspectivas e contribuir com a promoção da educação antirracista. Ademais, almeja-se que, a partir das co-escrevivências relatadas e do material didático-pedagógico audiovisual, o ensino de história e cultura afrobrasileiras se ressignique em um olhar que seja para muito além da escravidão. Ao investigar e documentar a memória de membros do Quilombo do Morro Alto, este estudo visa desconstruir essa narrativa unilateral e promover uma compreensão mais inclusiva e contracolonial do desenvolvimento regional, reconhecendo a importância da diversidade de perspectivas na construção da memória cultural e na valorização dos pensamentos tratados enquanto periféricos, já que circulante entre os corpos falhos na ordem capital.
Referências: Assembleia Geral da ONU. (1948). Declaração Universal dos Direitos Humanos (217 [III] A). Paris BRASIL. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. In: Brasil. Ministério da Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais Gerais da Educação Básica. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Básica. Diretoria de Currículos e Educação Integral. Brasília: MEC, SEB, DICEI, 2013. p. 496-513 BAUMAN, Zygmunt. Vida para consumo: a transformação das pessoas em mercadoria. Rio de Janeiro: Zahar, 2007, 199 p.
Nível de Ensino: Pós-Graduação
Área do Conhecimento: Pesquisa - Ciências Humanas
Integrantes: