Oficinas de Matemática e Pensamento Computacional na Escola Estadual Indígena Kuaray Rese


Resumo: O presente trabalho traz reflexões acerca das oficinas de matemática e pensamento computacional realizadas na Escola Indígena de Ensino Fundamental Kuaray Rese, que partiu de recursos que trabalham de forma concreta e abstrata conceitos presentes na realidade da comunidade. Ele integra o projeto de extensão “Criando espaços de construção de aprendizagens interculturais” que realiza encontros de formação pedagógica na instituição. As oficinas tiveram como objetivo trabalhar uma matemática crítica, contextualizada e interdisciplinar, promover a alfabetização e educação matemática e proporcionar uma imersão no processo do pensamento computacional na forma de resolução de problemas. O trabalho surgiu a partir de uma demanda apresentada pela escola em questão ao IFRS Campus Osório, tendo em vista que seus professores indígenas apresentam dificuldades em trabalhar os conteúdos matemáticos nas aulas. Os encontros foram realizados com uma metodologia colaborativa, qualitativa e investigativa que valoriza o processo de desenvolvimento ao invés do certo ou errado. Aconteceram dois encontros no turno da tarde na escola, com a participação de todos os estudantes de turmas multisseriadas, fazendo com que os objetivos de cada atividade fossem adaptados às suas idades. Como resultados, foi observado que a participação e o encantamento de todos com a proposta das atividades contextualizadas de matemática é o elemento essencial para o desenvolvimento/aprendizagem de matemática não de forma “decorada” mas de forma valorizada. No planejamento contextualizado da oficina, iniciando-se por uma música em espanhol que contempla valores não capitalistas, abordou-se o reconhecimento de padrões, a identificação de representações de unidades de medida de diferentes variáveis, o reconhecimento da espécie dinheiro, até o algoritmo matemático que se transforma em um desenho geométrico, que em Guarani é a “popoi” (borboleta). Em suma, o trabalho proporcionou a inserção de todos num espaço para socializar e se envolver, em que todos aprendem, cada um com suas perspectivas, com todos aprendizados sendo relevantes: o dos professores que planejaram e pensaram juntos contextualizados e o dos estudantes que monitoram as oficinas e aprenderam a colaborar e cooperar. Como ações futuras, pretende-se entregar à escola um material didático-pedagógico elaborado a partir dessa experiência para seguirem desenvolvendo o trabalho.

Referências: BONA, Aline Silva de.[org.] (Des)Pluga: o pensamento computacional atrelado a atividades investigativas e a uma metodologia inovadora. São Paulo: Pragmatha, 2021. Disponível em: https://repositorio.ifrs.edu.br/handle/123456789/442. Acesso em: 26 jul. 2024. BRASIL. Ministério da Educação. Referencial curricular nacional para as escolas indígenas. Brasília: MEC, 1998. IFRS. Política de Ações Afirmativas do IFRS (Resolução Consup n.0 022 de 25 de fevereiro de 2012). Bento Gonçalves: IFRS, 2014. Disponível em: <http://www.ifrs.edu.br/site/midias/arquivos/2014210132826341anexo_resolucao_22_14_(1).pdf>. Acesso em: 02 set. 2014.

Nível de Ensino: Ensino Médio e Ensino Médio Técnico
Tem protótipo: Não
Necessita de mesa: Sim

Área do Conhecimento: Extensão - Educação

Integrantes: